quinta-feira, 19 de abril de 2012

O tempo

Quem foi o safado que inventou o tempo? Quem foi que começou a contar quanto temos que dormir, quando temos de comer, que horas amar? Pois eu prefiro me abster, quando posso, do tempo. Foram dois dias em que descobri que o tempo só traz preocupação. É tarde, ando a pé por ruas um tanto perigosas, centro da cidade, mas eu não trouxe o tempo. Relógio ficou em casa. Sozinha, não há medo, pode ser 7 da noite ou 11. Não importa, se não há tempo, há liberdade, há tranquilidade. Olhar em volta e não ver. Lembrar dos outros sentidos e sinestésicamente perceber o arredor, arrepia a história que contém cada rua, cada esquina de anos. Esse é o tempo que importa, os minutos, esses nada tem. São 6 horas, nós combinamos 5 e meia, e nada. Mas, sem o tempo, eu não sei que está atrasado. Não fico brava. Vê? Quantas vezes o tempo me tirou o humor? Quantas vezes a neurose de olhar os minutos me fez esquecer de olhar teus olhos? O céu e o horizonte... ? Eu quero é liberdade e contar o "tempo" pelas batidas do meu coração, e achar que ele se multiplica em vez de se dividir quando estou do teu lado.
Que dia é hoje? E que hoje é hoje? É o mesmo hoje do dia que chamaram de hoje há mil anos? Não. É o tempo que muda, é o tempo maior, o tempo das mudanças perceptíveis. Os minutos, as horas, esses esquecemos. Mas quando não prestamos atenção, acontecem os momentos, muito diferentes dos minutos. São os momentos que trazem a lembrança. Ninguém vai lembrar que importante foi olhar o relógio

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